Se fosse o teu amor um rio calmo,
sem fortes corredeiras, sem peraus...
Se fosse a tua voz um suave salmo
no doce encantamento dos saraus;
se o teu olhar medisse, palmo a palmo,
a dimensão exata do meu caos,
cuidando se me inquieto ou se me acalmo
ao fluxo da maré que impele as naus;
serias meu refúgio, com certeza,
a amiga que se doa com presteza,
a companheira ideal da qual preciso...
No entanto, não serias minha amante,
pois esta sim, mantém uma incessante
labareda a queimar-se em meu juízo!