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Apaixonado por literatura!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

VIUVEZ E SONHO

Ontem, mirando a luz crepuscular,
pelo horizonte, em rubra claridade,
pensei em ti e, triste, o meu olhar
deixou verter um pranto de saudade.

Mas, veio a noite, e em sonho singular,
- de incrível semelhança à realidade –
eu te encontrei, tranquila, a me esperar,
sorrindo... A sugerir cumplicidade.


Hoje, acordei feliz e até suponho
que a causa disto foi aquele sonho
no qual pude sentir-te tão presente...

Havia em teu olhar tanta bonança,
que renovou em mim esta esperança
de um dia estarmos juntos novamente!

sábado, 28 de maio de 2011

O AMOR E O PERFUME

O teu adeus deixou tanta saudade
e tanta solidão, que eu quis um dia,
preencher a tua ausente companhia
com outro amor, talvez, outra amizade...

Meu coração ingênuo não sabia
que amores, consistentes de verdade,
seguem vivendo pela eternidade...
Negá-los é uma tola hipocrisia!

Depois dessas frustradas tentativas,
notei que ainda prosseguiam vivas
as mesmas dores que a viuvez resume.

Vi que o amor, embora estando triste,
supera o tempo e a sua ação persiste,
feito o aroma nos frascos de perfume!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

DISTRAÇÃO

 Foi-se o crepúsculo em silente prece...
O sol descente... a natureza fria...
Imperceptivelmente acaba o dia
e a noite cresce!

Sob a planura do sombrio véu
exibem-se as estrelas luminosas
e cobre-se de alegres nebulosas
o escuro céu!

E o viajante, indiferente a tudo,
nem se dá conta da sutil beleza
deste espetáculo divino e mudo
da natureza!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ANCORADOURO

Eu sou um barco à deriva,
singrando num mar bravio;
sou aquele que se esquiva
da mansuetude do estio.

Vou na contramão de tudo,
negando meu próprio ser;
jamais me engano ou me iludo
com gestos de bem-querer.

Eu tenho profundo gosto
por intermináveis fugas,
e trago expostas no rosto
as marcas de antigas rugas.

Mas, agora, minha amada...
Agora que te encontrei;
desta vida desregrada,
se ainda gosto, não sei.

Senti o toque gostoso
da tua terna acolhida
e esse abraço carinhoso
que me deixa sem saída.

Descobri o que é saudade
e o que é ter alma doente...
Agora sou só metade
quando te encontras ausente.

Agora tu és meu porto
e eu sou um barco parado;
às ilhargas do teu corpo
eternamente atracado!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

SE...

Se fosse o teu amor um rio calmo,
sem fortes corredeiras, sem peraus...
Se fosse a tua voz um suave salmo
no doce encantamento dos saraus;

se o teu olhar medisse, palmo a palmo,
a dimensão exata do meu caos,
cuidando se me inquieto ou se me acalmo
ao fluxo da maré que impele as naus;

serias meu refúgio, com certeza,
a amiga que se doa com presteza,
a companheira ideal da qual preciso...

No entanto, não serias minha amante,
pois esta sim, mantém uma incessante
labareda a queimar-se em meu juízo!

sábado, 22 de janeiro de 2011

DESAFIO DE AMOR

Este medo de amar que tu sugeres,
lamentável cuidado desmedido,
não é gesto comum entre as mulheres
às quais a vida tem tão bom sentido.

Porque fugir daquilo que tu queres
contradiz o teu jeito extrovertido,
esta fecunda floração de Ceres
que a luz do teu olhar tem sugerido.

Desfaça do teu peito esse temor
e entrega-te à grandeza deste amor
que te assedia inteiro o coração.

Para se amar de novo só é tarde
à pretensão de um coração covarde
que não assuma os riscos da paixão!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

IMPREVISÃO

Que imprevisível cântico desperta,
em suave voz, o espírito dormente
e enche de espanto o coração da gente
na inquietação de nova descoberta?

Que intempestivo caos, tão de repente,
desvia o rumo da jornada certa
e, nos arroubos de uma estranha oferta
aponta um novo cais à nossa frente?

Louvemos, pois, o involuntário assédio
dos vendavais que vão depondo o tédio
e impulsionando a embarcação perdida;

levando ao porto dos regenerados
os navegantes que, desencantados,
oscilam tristes sobre o mar da vida!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

SONETO DA DEMORA

Tardastes tanto para regressar,
que nada tenho para dar-te a gosto;
salvo esta angústia presa ao meu olhar,
salvo estas rugas graves no meu rosto.

Tardastes tanto, para o meu desgosto,
que acostumei-me à dor de te esperar,
feito um veleiro à hora do sol-posto,
que se habitua à solidão do mar.

Ó tempo ingrato! Ó triste esquecimento!
Que tendo em posse o teu discernimento,
tornou-te surda à queixa do meu ser...

Agora, aceita este final de festa;
esta ruína humana que me resta
é tudo o que te posso oferecer!

sábado, 8 de janeiro de 2011

QUANDO ME AMARES

Quando me amares,
Faça-o devagar;
Com gestos e olhares
De quem sabe amar...

Não me ames nunca
Só pela metade;
Amor dividido
Cheira a falsidade!

Não me ames nunca
Como quem tem pressa;
O amor verdadeiro
Sempre recomeça!

Não me ames nunca
Perguntando a hora;
O amor verdadeiro
Nunca vai embora!

Não me ames nunca
Com a cabeça ausente;
O amor verdadeiro
Sempre está presente!

Não me ames nunca
Só por caridade;
O amor verdadeiro
É sinceridade!

Não me ames nunca
Pela causa errada;
O amor verdadeiro
Não exige nada!

Quando me amares,
Faça-o devagar;
Com gestos e olhares
De quem sabe amar!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

DISSIMULAÇÃO

Quando o silêncio lúgubre da voz
supera a trama da palavra dita
e os olhos (lume do que existe em nós)
trazem à tona  o que a razão evita,

já não há como sermos, mesmos sós,
ilha remota onde ninguém habita...
O pensamento é um pássaro veloz
fugindo ao logro que a voz premedita.

Por mais que a convenção nos recrimine,
o nosso olhar é sempre uma vitrine
fiel às pretensões do coração...

Por mais que se procure adestramento,
ninguém consegue impor ao pensamento
as mesmas leis impostas à razão!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

EXTRAVIO

É provável que eu tenha me perdido
e vague agora sem sensor ou rota;
meu barco pelos ventos impelido,
buscando um porto na amplidão remota.

É provável que eu tenha me esquecido
por qual motivo me afastei da frota:
se por achá-la inútil, sem sentido,
se por ter alma tão pouco devota.

É bem provável que ao buscar a volta
eu não encontre o mesmo itinerário
do porto antigo que deixei um dia...

Mas, vagarei tranquilo, sem revolta,
e hei de encontrar num porto solidário
aquela antiga paz que eu possuía!