Quem sou eu

Minha foto
São Paulo, SP, Brazil
Membro da Academia Guanabarina de Letras; do Ateneu Angrense de Letras e Artes e da Academia de Letras da Grande São Paulo. Livros publicados: A Cabana das Flores / Alianças de Junco / Cicatrizes na Alma / Escola de Almas / Na Trilha do Passado / O Cultivador de Sonhos / O Pequeno Médium / O Semeador / Sem o Véu das Ilusões / Uma História de Perdão. Desenvolve trabalhos mediúnicos no Grupo Espírita Pescadores de Amor (GEPA), em São Paulo.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Viuvez e sonho

Ontem, mirando a luz crepuscular,
pelo horizonte, em rubra claridade,
pensei em ti e, triste, o meu olhar
deixou verter um pranto de saudade.

Mas, veio a noite, e em sonho singular,
- de incrível semelhança à realidade –
eu te encontrei, tranquila, a me esperar,
sorrindo... A sugerir cumplicidade.

Hoje, acordei feliz e até suponho
que a causa disto foi aquele sonho
no qual pude sentir-te tão presente...

Havia em teu olhar tanta bonança,
que renovou em mim esta esperança
de um dia estarmos juntos novamente!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

LANÇAMENTO

Olá, pessoal!
Foi com muita alegria que realizamos o lançamento do meu novo romance: UMA HISTÓRIA DE PERDÃO.
O evento de autógrafos aconteceu no dia 16 de julho (sábado), na Livraria Aliança - Rua Genebra, 122 - Bela Vista
Obrigado aos queridos leitores e ao companheiro Fábio Pezzin, gerente da livraria!
Os livros continuam a venda no local do evento.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

IRONIA

Sob a marquise da cidade fria,
um cidadão – que importa se mendigo? –
estertorava em lânguida agonia
preso nas garras de letal perigo.

E o ordinário, desumano abrigo
não evitava a forte ventania
e o impiedoso açoite do castigo
da chuva persistente que caía.

Assim passou-se a noite... Lentamente...
Pela manhã, um batalhão de gente
chegou a rir do morto imerso em lodos.

É que ele estava envolto (que ironia!)
numa faixa de pano onde se lia:
Cidadania aqui é para todos”.

sábado, 28 de maio de 2011

O AMOR E O PERFUME

O teu adeus deixou tanta saudade
e tanta solidão, que eu quis um dia,
preencher a tua ausente companhia
com outro amor, talvez, outra amizade...

Meu coração ingênuo não sabia
que amores, consistentes de verdade,
seguem vivendo pela eternidade...
Negá-los é uma tola hipocrisia!

Depois dessas frustradas tentativas,
notei que ainda prosseguiam vivas
as mesmas dores que a viuvez resume.

Vi que o amor, embora estando triste,
supera o tempo e a sua ação persiste,
feito o aroma nos frascos de perfume!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

DISTRAÇÃO

 Foi-se o crepúsculo em silente prece...
O sol descente... a natureza fria...
Imperceptivelmente acaba o dia
e a noite cresce!

Sob a planura do sombrio véu
exibem-se as estrelas luminosas
e cobre-se de alegres nebulosas
o escuro céu!

E o viajante, indiferente a tudo,
nem se dá conta da sutil beleza
deste espetáculo divino e mudo
da natureza!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ANCORADOURO

Eu sou um barco à deriva,
singrando num mar bravio;
sou aquele que se esquiva
da mansuetude do estio.

Vou na contramão de tudo,
negando meu próprio ser;
jamais me engano ou me iludo
com gestos de bem-querer.

Eu tenho profundo gosto
por intermináveis fugas,
e trago expostas no rosto
as marcas de antigas rugas.

Mas, agora, minha amada...
Agora que te encontrei;
desta vida desregrada,
se ainda gosto, não sei.

Senti o toque gostoso
da tua terna acolhida
e esse abraço carinhoso
que me deixa sem saída.

Descobri o que é saudade
e o que é ter alma doente...
Agora sou só metade
quando te encontras ausente.

Agora tu és meu porto
e eu sou um barco parado;
às ilhargas do teu corpo
eternamente atracado!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

SE...

Se fosse o teu amor um rio calmo,
sem fortes corredeiras, sem peraus...
Se fosse a tua voz um suave salmo
no doce encantamento dos saraus;

se o teu olhar medisse, palmo a palmo,
a dimensão exata do meu caos,
cuidando se me inquieto ou se me acalmo
ao fluxo da maré que impele as naus;

serias meu refúgio, com certeza,
a amiga que se doa com presteza,
a companheira ideal da qual preciso...

No entanto, não serias minha amante,
pois esta sim, mantém uma incessante
labareda a queimar-se em meu juízo!

sábado, 22 de janeiro de 2011

DESAFIO DE AMOR

Este medo de amar que tu sugeres,
lamentável cuidado desmedido,
não é gesto comum entre as mulheres
às quais a vida tem tão bom sentido.

Porque fugir daquilo que tu queres
contradiz o teu jeito extrovertido,
esta fecunda floração de Ceres
que a luz do teu olhar tem sugerido.

Desfaça do teu peito esse temor
e entrega-te à grandeza deste amor
que te assedia inteiro o coração.

Para se amar de novo só é tarde
à pretensão de um coração covarde
que não assuma os riscos da paixão!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

IMPREVISÃO

Que imprevisível cântico desperta,
em suave voz, o espírito dormente
e enche de espanto o coração da gente
na inquietação de nova descoberta?

Que intempestivo caos, tão de repente,
desvia o rumo da jornada certa
e, nos arroubos de uma estranha oferta
aponta um novo cais à nossa frente?

Louvemos, pois, o involuntário assédio
dos vendavais que vão depondo o tédio
e impulsionando a embarcação perdida;

levando ao porto dos regenerados
os navegantes que, desencantados,
oscilam tristes sobre o mar da vida!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

SONETO DA DEMORA

Tardastes tanto para regressar,
que nada tenho para dar-te a gosto;
salvo esta angústia presa ao meu olhar,
salvo estas rugas graves no meu rosto.

Tardastes tanto, para o meu desgosto,
que acostumei-me à dor de te esperar,
feito um veleiro à hora do sol-posto,
que se habitua à solidão do mar.

Ó tempo ingrato! Ó triste esquecimento!
Que tendo em posse o teu discernimento,
tornou-te surda à queixa do meu ser...

Agora, aceita este final de festa;
esta ruína humana que me resta
é tudo o que te posso oferecer!

sábado, 8 de janeiro de 2011

QUANDO ME AMARES

Quando me amares,
Faça-o devagar;
Com gestos e olhares
De quem sabe amar...

Não me ames nunca
Só pela metade;
Amor dividido
Cheira a falsidade!

Não me ames nunca
Como quem tem pressa;
O amor verdadeiro
Sempre recomeça!

Não me ames nunca
Perguntando a hora;
O amor verdadeiro
Nunca vai embora!

Não me ames nunca
Com a cabeça ausente;
O amor verdadeiro
Sempre está presente!

Não me ames nunca
Só por caridade;
O amor verdadeiro
É sinceridade!

Não me ames nunca
Pela causa errada;
O amor verdadeiro
Não exige nada!

Quando me amares,
Faça-o devagar;
Com gestos e olhares
De quem sabe amar!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

DISSIMULAÇÃO

Quando o silêncio lúgubre da voz
supera a trama da palavra dita
e os olhos (lume do que existe em nós)
trazem à tona  o que a razão evita,

já não há como sermos, mesmos sós,
ilha remota onde ninguém habita...
O pensamento é um pássaro veloz
fugindo ao logro que a voz premedita.

Por mais que a convenção nos recrimine,
o nosso olhar é sempre uma vitrine
fiel às pretensões do coração...

Por mais que se procure adestramento,
ninguém consegue impor ao pensamento
as mesmas leis impostas à razão!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

EXTRAVIO

É provável que eu tenha me perdido
e vague agora sem sensor ou rota;
meu barco pelos ventos impelido,
buscando um porto na amplidão remota.

É provável que eu tenha me esquecido
por qual motivo me afastei da frota:
se por achá-la inútil, sem sentido,
se por ter alma tão pouco devota.

É bem provável que ao buscar a volta
eu não encontre o mesmo itinerário
do porto antigo que deixei um dia...

Mas, vagarei tranquilo, sem revolta,
e hei de encontrar num porto solidário
aquela antiga paz que eu possuía!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

POESIA QUASE TRISTE

Perdi os rumos de mim,
Por isso vagueio assim,
Buscando o abrigo de um porto.
Ostento profundas rugas
E as cicatrizes das fugas
Deste meu “eu” triste e torto.

Trago um tormento previsto
Nas chagas de um velho cristo
Que se projeta em meu rosto.
Trago os sonhos destroçados
Pelos tufões indomados
Que o destino tem imposto.

Mas trago (bendita seja!)
A inspiração benfazeja
De uma poesia rimada.
Gerada dentro da alma,
É meiga filha que acalma
A hostilidade da estrada!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O CÃO E O MENINO

Na calma manhã de outono,
à brisa morna que passa,
vai um cachorro sem dono
vagando, solto, na praça.

Com seu rabinho inquieto,
às vezes, para e se estica,
ergue as orelhas e, ereto,
não sabe se vai... se fica...

Num gesto bem displicente,
um travesso menininho
oferta ao cão, de repente,
um cafuné no focinho.

O cão, com grande alegria,
lambendo a mão da criança,
late, pula e rodopia,
numa imitação de dança.

E os dois, em paz com o destino,
brincam na manhã de outono;
um, sem pensar que é menino
e o outro, que é cão sem dono!

sábado, 18 de dezembro de 2010

DUALIDADE

Uma parte de mim, que é só poesia,
e que vive vagando pelo espaço,
não possui o pesar de uma agonia,
nem se entrega à tortura do cansaço.

Outra parte, que é pura anatomia,
que se arrasta no chão de passo em passo,
traz a sombra tristonha da apatia
de manter-se nas teias do embaraço.

E, tentando escapar do duplo ofício
de ser fria razão e sonho leve,
cada parte de mim é um precipício...

Para ter, cada parte, um tempo breve,
uma parte pratica este exercício
de apagar o que a outra parte escreve.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CICLO DA VIDA

O tempo acumula, nas horas vividas,
as graves feridas que o mundo oferece,
porém armazena também a ventura,
a doce ternura que à alma enternece.

Da infância inocente perduram os sonhos
dos anos risonhos, repletos de alvores...
as cismas voláteis, risíveis projetos
- pilares secretos de ingênuos amores -.

E na juventude a robusta pujança
da luz da esperança a apontar sempre à frente...
A alma radiosa é um farto celeiro
e o mundo um canteiro esperando a semente.

E chega a velhice trazendo o sossego,
o terno aconchego da brisa outonal...
Os sábios conselhos da longa vivência
e a lenta cadência do tempo final.

Depois vem o sono da breve passagem,
a nova paisagem da vida a se abrir...
A morte do corpo a alma liberta
e Deus nos oferta um novo porvir!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

SONETO DE RENOVAÇÃO

Hoje é sutil a dor que te reclama
e no meu peito insere nostalgia,
feito uma aragem suave ao fim do dia
que, num sussurro, por teu nome chama.

Hoje, restrita à vã fisionomia,
tua lembrança não é viva chama,
mas sou ainda aquele que te ama
e vive desprovido de alegria.

A vida passa e todo o sentimento
decai vencido pelo esquecimento,
quando largado à solidão da espera...

No entanto, resistente a toda prova,
o meu amor é flor que se renova
a cada vez que surge a primavera!

sábado, 27 de novembro de 2010

INVASÃO

Como um velho arquipélago sagrado,
perdido em meio ao mar, ermo, deserto,
meu coração, distante e sossegado,
somente à solidão mantém-se aberto.

Qual fosse um visitante indesejado,
teu coração o meu tem descoberto,
intruso, impertinente e desastrado,
roubando o meu sossego outrora certo.

E vem trazendo um turbilhão consigo
a revolver meu solo incauto e virgem
e a destroçar a paz que eu possuía...


Mas, vem de um modo estranhamente amigo
e traz-me a sensação de uma vertigem
que oscila entre a repulsa e a euforia!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

FOLHAS

As tantas folhas amarelecidas
que se desprendem da árvore copada
e seguem soltas pelas avenidas
ao sopro audaz da brisa descuidada

lembram meus sonhos, ilusões vencidas
pela razão da vida transtornada;
musas de amor do peito desprendidas,
parte de um todo reduzido ao nada.

Nem sempre a vida nos oferta escolhas,
visto que, às vezes, poderosa mão
leva projetos, ilusões e folhas...

E como o sonho, que se alteia em vão,
fogem ligeiras, fugidias bolhas
de espumas fluidas, pela imensidão!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

VELHICE DE MÃE

Mamãe, o que é velhice?
Pergunta o filho inocente.
E a mulher, lembrando as mágoas
da dor passada e presente,
encara o filho e responde:
- Velhice é o que tenho em mim!
A criança, reparando
nos olhos de sua mãe,
grita: - Meu Deus, mamãezinha!
A velhice é linda assim?!!!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

POEMA DE RENOVAÇÃO

Feito o galho ressequido
de um velho tronco caído
à margem da rodovia,
só tenho vagas lembranças
de apagadas esperanças
que minha alma perseguia.

Mas na ramagem que resta
na ponta do galho, em festa,
cantam pássaros felizes
e na vibração sonora
minha alma sorri e chora
sobre antigas cicatrizes.

E as alegrias passadas
são sementes renovadas
que o pranto presente gera
e, no prado hospitaleiro,
transformam-se num canteiro
quando chega a primavera!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SONETO DE PURIFICAÇÃO

Hoje, que tudo é calma e suavidade;
que eu não preciso mais viver de enganos,
quero despir-me de qualquer vaidade
alimentada no correr dos anos.

Preciso submeter-me à realidade
abandonando os vícios mais insanos
dos quais fui prisioneiro em liberdade
e sobre os quais tracei todos os planos.

Hoje, não quero nada que me empeste;
não quero tolas ilusões terrenas,
tampouco esta roupagem que me veste.

Dispo-me destes trajes tão pesados
e sigo bem feliz, levando apenas
os nobres sentimentos conquistados!

sábado, 13 de novembro de 2010

TRIBUTO À VIDA

A vida é bela, embora os seus percalços,
constantemente, sejam desafios;
bem como as pedras e os percursos falsos
que existem contra os rios.

A vida é bela, mesmo que a tristeza,
essa ancestral e vã melancolia,
seja o dileto prato posto à mesa
do nosso dia a dia.

A vida é bela, embora seja o grito,
arraigado às mais íntimas carências,
toda a razão deste silêncio aflito
nas nossas insurgências.

A vida é linda, feito uma aquarela,
mesmo no instante em que se faz disforme,
quando, despindo-se do véu, revela
uma tristeza enorme.

A vida é bela em seus avisos sábios,
no ensinamento do conselho mudo;
mestra maior que, sem mover os lábios,
consegue dizer tudo.

A vida é bela porque nos eleva
à condição de doutrinados seus;
porque, através da redenção, nos leva
na direção de Deus!