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São Paulo, SP, Brazil
Escritor a serviço da Espiritualidade.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

POEMA DE RENOVAÇÃO

Feito o galho ressequido
de um velho tronco caído
à margem da rodovia,
só tenho vagas lembranças
de apagadas esperanças
que minha alma perseguia.

Mas na ramagem que resta
na ponta do galho, em festa,
cantam pássaros felizes
e na vibração sonora
minha alma sorri e chora
sobre antigas cicatrizes.

E as alegrias passadas
são sementes renovadas
que o pranto presente gera
e, no prado hospitaleiro,
transformam-se num canteiro
quando chega a primavera!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SONETO DE PURIFICAÇÃO

Hoje, que tudo é calma e suavidade;
que eu não preciso mais viver de enganos,
quero despir-me de qualquer vaidade
alimentada no correr dos anos.

Preciso submeter-me à realidade
abandonando os vícios mais insanos
dos quais fui prisioneiro em liberdade
e sobre os quais tracei todos os planos.

Hoje, não quero nada que me empeste;
não quero tolas ilusões terrenas,
tampouco esta roupagem que me veste.

Dispo-me destes trajes tão pesados
e sigo bem feliz, levando apenas
os nobres sentimentos conquistados!

sábado, 13 de novembro de 2010

TRIBUTO À VIDA

A vida é bela, embora os seus percalços,
constantemente, sejam desafios;
bem como as pedras e os percursos falsos
que existem contra os rios.

A vida é bela, mesmo que a tristeza,
essa ancestral e vã melancolia,
seja o dileto prato posto à mesa
do nosso dia a dia.

A vida é bela, embora seja o grito,
arraigado às mais íntimas carências,
toda a razão deste silêncio aflito
nas nossas insurgências.

A vida é linda, feito uma aquarela,
mesmo no instante em que se faz disforme,
quando, despindo-se do véu, revela
uma tristeza enorme.

A vida é bela em seus avisos sábios,
no ensinamento do conselho mudo;
mestra maior que, sem mover os lábios,
consegue dizer tudo.

A vida é bela porque nos eleva
à condição de doutrinados seus;
porque, através da redenção, nos leva
na direção de Deus!